DESODORIZANTES: ANTITRANSPIRANTES VS NATURAIS
Uma reflexão sobre a que custo queremos cheirar bem
9/14/20264 min ler
Temos vivido, e ainda vivemos, uma tendência a usar produtos cosméticos e de higiene natural que eliminem o nosso cheiro natural e coloquem no nosso corpo cheiros fortes e artificiais. Isto na minha opinião tem uma reflexão muito importante a se fazer, pois estaremos a rejeitar a nossa própria natureza, como os nossos corpos são? Atenção, é de importância manter uma higiene diária do nosso corpo como um todo, mas como fazemos isto? Lavamo-nos com gel de duche e champôs que eliminam toda a gordura cuja função é proteger a nossa pele e fazer com que esteja em bom estado; tiramos os pelos que protegem as zonas mais delicadas do nosso corpo sem entender a sua função; colocamos gel nas nossas unhas sem saber que aos poucos estamos a degradar as nossas unhas verdadeiras; pintamos os cabelos grisalhos para parecer mais jovens…. Mas por outro lado não lavamos a nossa boca e língua ao acordar para eliminar as bactérias e toxinas que foram depositadas na língua durante o processo de limpeza e depuração à noite, não lavamos o nariz com água salgada para evitar inflações e alergias entre outras práctivacs de higiene natural. São decisões sobre as que é preciso refletir, como estamos tratando da higiene do nosso corpo, superficialmente ou integralmente?
Hoje quero falar em concreto sobre a transpiração e uso de desodorizantes antitranspirantes. Não há muito tempo uma pessoa estava interessada no desodorizante natural, mas quando percebeu que não ia fazer com que ela transpirasse menos não quis. Nós precisamos transpirar, é um dos mecanismos de eliminação de toxinas de nosso corpo, assim como a urina ou as fezes. A transpiração não tem mau cheiro em se, mas quando sae do nosso corpo e é exposta ao ar e aos micro-organismos, bactérias, naturalmente presentes no nosso corpo, a transpiração é degradada por este,s e como efeito resultante deste processo surge o mau cheiro. Estas bactérias também estão a cumprir uma função, mas por vezes, já seja pelo metabolismo da própria pessoa, por situações de estres ou mudanças hormonais existe um desequilibro destas bactérias produzindo um cheiro forte e desagradável. Também existem pessoas que transpiram bastante e devido ao tipo de trabalho que têm, como por exemplo atendimento ao público, esta situação torna-se desagradável. Realmente nestas circunstâncias percebo a utilização de antitranspirantes. Quero que percebam que não estou a julgar, mas sim proporcionar um momento de reflexão e informação.
Vamos ver tipos de desodorizantes:
Na perspetiva natural teremos de atuar na regulação deste ecossistema bacteriano que existe na nossa axila. Na perspetiva química queremos evitar a transpiração, e como fazemos isto?, através de compostos antitranspirantes como o alumínio e derivados deste. O problema disto é a maneira destes atuarem; são compostos bem pequeninos que entram nos poros da pele e os bloqueiam impedindo assim a transpiração sair; por tanto a transpiração, que deveria sair, fica dentro do nosso corpo, as toxinas que o nosso corpo depurou para saírem e estarmos saudáveis ficam dentro. Por tanto cheiramos bem por fora mas estamos “sujos” por dentro, reflitam e vejam se agora faz sentido esta abordagem. Além deste efeito, a obstrução dos poros podem causar foliculites, situações nas que os poros obstruídos começam a reter gordura e bactérias no interior provocando inflamação dos folículos pilosos criando pequenos quistos dolorosos. Mas o alumínio não é o único composto preocupante nos desodorizantes, existem compostos até mais perigosos como os parabenos, propilenglicol, álcool o fragâncias artificias que podem provocar irritação da pele, comissão ou eczemas ou reações alérgicas. Também se fala da relação de antitranspirantes com casos de cancro, se bem que ainda não há consenso científico a volta deste assunto.
Nos desodorizantes naturais como referi vamos atuar na superfície da pele, não introduziremos compostos no corpo propriamente (se bem que, como sabemos, tudo o que colocamos na pele é absorbido pelo corpo). Não vamos bloquear a transpiração, vamos tentar diminuir a quantidade de bactérias decompositoras da transpiração. Para isto existem várias opções: uma muito usada, mas que está a ser posta de lado pelos seus efeitos de irritação da pele, é o bicarbonato de sódio. Este composto natural é bastante eficaz, mas possui um pH muito elevado, o que leva a irritação da zona das axilas, ou até em casos que inicialmente não cria irritação, com o tempo pode causar desajustes na pele. Sei de muitas pessoas que só se dão bem com estes desodorizantes, mas a minha proposta é alternarem com outros naturais sem bicarbonato, usarem por exemplo em dias de reunião ou uma festa em que não queremos mesmo que o cheiro a transpiração nos incomode.
Outros desodorizantes naturais estão baseados em alúmen (a famosa pedra de alúmen ou sprays ou cremes que contem alúmen na sua composição). Estes desodorizantes tem uma boa eficácia, e não são perigosos pelos estudos feitos até agora, pois o tamanho de moléculas de alúmen é maior do tamanho dos nossos poros.
Além destes dois tipos de desodorizantes naturais existem uma ampla gama de desodorizantes baseados em compostos como éster de ácido cítrico, ricinocelato de zinco, hidróxido de magnésio, sílica, terra de diatomáceas entre outros que em ação complementar a ingredientes absorbentes como a argila ou os amidos e os óleos essências, criam sinergias bastante eficazes no combate ao mau odor. Este é o caso do nosso desodorizante natural em creme.
Escolhamos a opção que escolhamos vamos passar por um processo de transição, no qual no início os desodorizantes naturais podem não estar a resultar completamente bem, mas insistam, mudem de marca até encontrar um que resulte, e saibam que pode vezes aquele que usamos de repente deixar de funcionar, também é normal e faz parte das nossas mudanças corporais, experimentem outro, haverá um que volte a resultar convosco.
Reflitamos, a que custo queremos cheirar bem? Que faz sentido colocar na nossa pele? E por que não questionar, preciso desodorizante todos os dias?
Elena
para nós_ pela terra
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